O Islão expandiu-se rapidamente e por vastos território desde o ocidente até ao oriente. O urbanismo implantado pelo Islão não é muitas mais do que uma simples adaptação a cidades pré-existentes, sendo raras as vezes em que o mesmo cria o seu próprio espaço urbano. As cidades islâmicas são muitas vezes consideradas como confusas e labirínticas, isso não significa que o urbanismo do Islão seja todo dessa forma, mas é um importante ponto de partida para compreender uma diferença essencial entre o urbanismo islâmico e o urbanismo cristão.
A diferença entre um e outro, não é que um seja organizado e outro não, mais o urbanismo Medieval cristão é praticamente inexistente até ao século XI, porque a população vai ocupar o campo e não as cidades, o que não acontece no mundo islâmico, que ocupa principalmente as cidades pré-existentes. A principal diferença é o conceito de rua, a rua medieval cristã é um espaço importantíssimo, a vida no interior das casas era desagradável e então a população realizava a sua vida nesse espaço comum, o contrário acontece no mundo islâmico, mais quente, onde o espaço interior da casa consiste num espaço aberto e outro fechado, não necessitando tanto da rua, a cultura islâmica vai criar ruas mais estreitas, onde as sombras abundam, sendo simplesmente eixos de ligação da habitação aos espaços públicos mais importantes.
Importante referir a forma de organização urbana das cidades islâmicas, que vai continuar essencialmente igual nas cidades portuguesas, no sul, durante vários séculos. Uma zona fortemente amuralhada, a Alcaçova, espaço essencialmente militar, mas também de poder onde se encontrava o Alcácer (palácio); também amuralhado o espaço da Medina, a cidade propriamente dita, onde se encontravam todos os edifícios mais importantes, como a Mesquita, o Bazar e os Banhos. E por último um espaço fora das muralhas, os arrabaldes, espaço urbano e rural, onde se encontravam importantes culturas agrícolas. Este espaço vai ser aproveitado pelo mundo cristão para formar os bairros de mouros.
O melhor exemplo que eu conheço deste tipo de cidade islâmica será Silves, é ainda bem visível a Alcaçova (Castelo) e alguns trocos da muralha da Medina. É pena que a muralha da Medina esteja mal aproveitada, exceptuando o espaço de muralha aproveitado pelo museu. De referir também que em Lisboa só se vai abandonar o espaço da Alcaçova com o Rei D. Manuel I, já em época moderna, um exemplo da importância de conhecer este tipo de organização urbana e não ficar só pelos conceitos simplistas de "irracional", "confuso" e "labiríntico".
Nos anos 60, Fernando Chueca Goitia, escreveu isto sobre as possibilidades futuras do urbanismo islâmico: "Elas pareciam-nos até agora o cúmulo da inadaptação à vida moderna, pela impossibilidade de circulação automóvel nestas cidades. Esta circulação atingiu, no entanto, tais proporções que mesmo nas cidades modernas chegara um dia em que terá de ser proibida no centro, ficando partes importantes reservadas exclusivamente aos peões. Estas medinas muçulmanas poderão vir a ser excelentes ilhotas, no coração da urbe do futuro, lugares para gozar a calma e o silêncio, ou para o discreto deambular pelas ruas animadas e pitorescas. Assim se reatará a vida de cidade, a vida de rua, que o automóvel, esse monstro insaciável, está fazendo desaparecer das nossas urbes".
Conhecer o passado, pode ser um caminho para melhorar o futuro.
quinta-feira, 23 de junho de 2016
terça-feira, 21 de junho de 2016
A "Reconquista" e as suas Histórias
Na história de Portugal um dos períodos mais importantes e celebrados é o seu início, que consiste num período de "reconquista" de territórios a sul sobre o domínio muçulmano.
Muitas são as histórias contadas, é um período de muitas lendas e de uma percepção muito negativa do território ibérico controlado pelo Islão. No norte do país ainda se trata a população do Sul por "Mouro" termo pejorativo que considera ao mesmo tempo que Portugal só é Portugal a norte e que a cultura do Sul era mais pobre. Essa ideia das gentes do Norte não precisa de mais de 30 segundos para ser desmentida. A cultura, a arquitectura e a arte estavam num patamar muito superior a sul do que a norte e a população da época sabia-o na perfeição. Só que ao longo dos séculos, considerando que a história é escrita pelo povo vencedor, que expulsa o domínio muçulmano, vai formando ideias de superioridade sobre o mesmo. Nós temos essa mentalidade hoje em dia, o Algarve será uma região "atrasada" porque foi a última a expulsar o domínio muçulmano. É exactamente o oposto, o Algarve é diferente e melhor que o resto do país por essa influência, tal como outras tantas de povos com civilizações muito superiores aos povos do Norte. Mas pronto, eu não devo ir por estes caminhos, porque esse não é o verdadeiro papel do historiador, apesar de no Islão existirem banhos, palácios, organização urbana, saneamento, poesia, música e uma maior qualidade artística, não significa que o povo do Norte que vive no campo, não tem hábitos de higiene, nem culturais, seja pior ou menos desenvolvido.
Mas queria falar um pouco sobre a reconquista, porque conta muitas histórias além dos conceitos básicos que nos ensinam quando somos crianças. Ontem li a história no Geraldo, Sem Pavor.
A conquista de território nem sempre era realizada pelo rei e o seu exército, mais, as grandes cidades como Lisboa são conquistadas por exércitos cruzados do Norte e centro da Europa, também tal acontece com Silves, os exércitos a caminho da terra Santa acabavam por dar um enorme a apoio à reconquista portuguesa. Além dos cruzados ainda existiam as ordens militares, também de origem do centro e Norte da Europa, que por exemplo o sul de território foi conquistada quase só devido à ordem de São Tiago da Espada. E ainda há o exemplo do Geraldo, Sem Pavor, apoiado pelo rei D. Afonso Henriques, este homens, agia com um bando de arruaceiros e marginais, por sua conta, atacando pela noite as cidades, incendiado as muralhas e conquistando as cidades. Com o principal objectivo de conquistar Badajoz, conseguiu conquistar territórios próximos e em redor da mesma cidade. Tratando-se de uma cidade importante para o domínio islâmico, não esquecer que é das poucas cidades fundadas pelo Islão, obviamente que a defesa da mesma intensificou-se com militares de outros territórios. Mas o mais curioso para a História será que o próprio rei de Espanha vai enviar militares para impedir a conquista portuguesa de Badajoz. Sim, o Rei Cristão, apoiou os muçulmanos. A "reconquista" desculpa-se com a religião, mas obviamente que tem outros interesses por detrás e conquista de Badajoz por Portugal significava um domínio dos territórios actuais do Alentejo e Algarve, territórios que o rei espanhol também tinha interesse. Consequentemente a conquista de Badajoz viu-se frustrada pelos tropas portuguesas, apoiadas pelo rei, que nessa cidade viu a sua vida militar praticamente finalizada, tendo partido a perna na fuga do interior da cidade, capturado por tropas espanholas. O Sem Pavor, foi obrigado a entregar as praças conquistadas a muçulmanos e espanhóis. Curiosamente o mesmo vai continuar a incomodar constantemente os territórios muçulmanos, até que um período de tréguas celebrado entre cristãos e muçulmanos leva-o para Sevilha, onde irá comandar um exército muçulmano, mas o mesmo não tinha virado a casaca por completo, tendo sido descobertas cartas entre o mesmo e o rei de Portugal, incentivando a invasão de Marrocos, após a descoberta, foi condenado à morte.
São muitas as histórias que a "reconquista" conta, as relações entre os povos são talvez das mais curiosas e inesperadas. A história não é tão básica como muitas vezes nos dão a conhecer.
Muitas são as histórias contadas, é um período de muitas lendas e de uma percepção muito negativa do território ibérico controlado pelo Islão. No norte do país ainda se trata a população do Sul por "Mouro" termo pejorativo que considera ao mesmo tempo que Portugal só é Portugal a norte e que a cultura do Sul era mais pobre. Essa ideia das gentes do Norte não precisa de mais de 30 segundos para ser desmentida. A cultura, a arquitectura e a arte estavam num patamar muito superior a sul do que a norte e a população da época sabia-o na perfeição. Só que ao longo dos séculos, considerando que a história é escrita pelo povo vencedor, que expulsa o domínio muçulmano, vai formando ideias de superioridade sobre o mesmo. Nós temos essa mentalidade hoje em dia, o Algarve será uma região "atrasada" porque foi a última a expulsar o domínio muçulmano. É exactamente o oposto, o Algarve é diferente e melhor que o resto do país por essa influência, tal como outras tantas de povos com civilizações muito superiores aos povos do Norte. Mas pronto, eu não devo ir por estes caminhos, porque esse não é o verdadeiro papel do historiador, apesar de no Islão existirem banhos, palácios, organização urbana, saneamento, poesia, música e uma maior qualidade artística, não significa que o povo do Norte que vive no campo, não tem hábitos de higiene, nem culturais, seja pior ou menos desenvolvido.
Mas queria falar um pouco sobre a reconquista, porque conta muitas histórias além dos conceitos básicos que nos ensinam quando somos crianças. Ontem li a história no Geraldo, Sem Pavor.
A conquista de território nem sempre era realizada pelo rei e o seu exército, mais, as grandes cidades como Lisboa são conquistadas por exércitos cruzados do Norte e centro da Europa, também tal acontece com Silves, os exércitos a caminho da terra Santa acabavam por dar um enorme a apoio à reconquista portuguesa. Além dos cruzados ainda existiam as ordens militares, também de origem do centro e Norte da Europa, que por exemplo o sul de território foi conquistada quase só devido à ordem de São Tiago da Espada. E ainda há o exemplo do Geraldo, Sem Pavor, apoiado pelo rei D. Afonso Henriques, este homens, agia com um bando de arruaceiros e marginais, por sua conta, atacando pela noite as cidades, incendiado as muralhas e conquistando as cidades. Com o principal objectivo de conquistar Badajoz, conseguiu conquistar territórios próximos e em redor da mesma cidade. Tratando-se de uma cidade importante para o domínio islâmico, não esquecer que é das poucas cidades fundadas pelo Islão, obviamente que a defesa da mesma intensificou-se com militares de outros territórios. Mas o mais curioso para a História será que o próprio rei de Espanha vai enviar militares para impedir a conquista portuguesa de Badajoz. Sim, o Rei Cristão, apoiou os muçulmanos. A "reconquista" desculpa-se com a religião, mas obviamente que tem outros interesses por detrás e conquista de Badajoz por Portugal significava um domínio dos territórios actuais do Alentejo e Algarve, territórios que o rei espanhol também tinha interesse. Consequentemente a conquista de Badajoz viu-se frustrada pelos tropas portuguesas, apoiadas pelo rei, que nessa cidade viu a sua vida militar praticamente finalizada, tendo partido a perna na fuga do interior da cidade, capturado por tropas espanholas. O Sem Pavor, foi obrigado a entregar as praças conquistadas a muçulmanos e espanhóis. Curiosamente o mesmo vai continuar a incomodar constantemente os territórios muçulmanos, até que um período de tréguas celebrado entre cristãos e muçulmanos leva-o para Sevilha, onde irá comandar um exército muçulmano, mas o mesmo não tinha virado a casaca por completo, tendo sido descobertas cartas entre o mesmo e o rei de Portugal, incentivando a invasão de Marrocos, após a descoberta, foi condenado à morte.
São muitas as histórias que a "reconquista" conta, as relações entre os povos são talvez das mais curiosas e inesperadas. A história não é tão básica como muitas vezes nos dão a conhecer.
terça-feira, 14 de junho de 2016
Génio Barroco
O que é o génio artístico? O que é arte? Duas questões importantes para compreender a história de arte e a arte em si. Na minha opinião existe uma forte ligação entre ambas, os maiores artistas são aqueles que acrescentaram maior génio nas suas obras. A arte evolui a partir dos seus génios, são eles que quebram com o passado, inovam e criam os pilares do futuro. Importante esquecer que o génio não é só inspiração divina ou talento natural, é também muito trabalho. Mas não é errado pensar no génio artístico como algo extraordinário e então conceder uma explicação menos terrena.
Um dos grandes génios da arte e o meu pintor preferido é Michelangelo Merisi, mais conhecido por Caravaggio. Pintor Barroco, mestre do Chiaroscuro e quem traz o povo para pintura, é o primeiro realista e afasta-se das imagens idealizadas do renascimento.
No livro História da Arte Gombrich encontrei uma história muito interessante sobre este pintor e que ajuda a compreender o que é o génio artístico. Após uma encomenda para um altar, com o tema tradicional de São Mateus a escrever o Evangelho inspirado por um anjo, Caravaggio realiza uma pintura que retrata o São Mateus como um homem comum, sentado, com um enorme livro sobre uma das pernas, numa posição pouco natural de como quem nunca segurou lidou com um livro de tais dimensões e o anjo não é só inspiração do santo, ele literalmente guia a mão do santo, fragilizando ainda mais a imagem do santo. Esta pintura foi recusada e Caravaggio realizou outra em que o Santo já escreve sobre uma mesa, com trajes mais nobres e olha para o anjo, que já não guia a sua mão, mas que parece dizer-lhe o que escrever. Esta pintura já foi aceite.
Porque que uma pintura é aceite e a outra não? Porque uma responde às regras do tema e a outra é a interpretação própria do pintor. Caravaggio sabia exactamente o que os encomendadores queriam, mas mesmo assim fez uma pintura consoante a sua interpretação. Consoante o seu génio artístico. Um tema tantas vezes pintado, mas que Caravaggio dá uma nova interpretação. A história da pintura ficou mais rica com uma pintura recusada. A capacidade de um artista pode ser vista pela utilização da cor, da luz, da sombra, dos trajes, da anatomia, mas é especialmente vista pela sua capacidade inventiva, de criar o inesperado, de dar uma nova perspectiva. A pintura de Caravaggio não era bela, não é esse o seu propósito, mas tem tudo aquilo que diferencia uma grande obra de arte e o que um verdadeiro amante de arte procura encontrar. P.S
Este texto era suposto ser um primeiro rascunho para um estudo maior: do belo, de Caravaggio e afins. Mas infelizmente com os exames não tenho oportunidade de o desenvolver. De destacar ainda que ambas pinturas são de excelência artística.
sexta-feira, 3 de junho de 2016
Integralismo Lusitano
Numa das minhas últimas cadeiras como universitário estudei uma ideologia política que captou muito o meu interesse. Infelizmente a cadeira não correu como seria de esperar, pode-se dizer que não cheguei a ter aulas, foram poucas, umas faltei e as outras pouco informativas. Mas foi necessário fazer um comentário sobre um conjunto de textos, no meu caso coube-me o Integralismo Lusitano.
Eu não sou um filho do 25 de Abril, não é a minha geração, não ando com cravos, não denomino como o dia da liberdade e gosto de explicar às pessoas o que aconteceu a Grândola após essa data. Logo isto significa que não olho para actual momento político com paixão, nem o que nos foi legado desde a revolução de Abril. Gosto de democracia e de liberdade, mas a democracia em que nós vivemos sempre me pareceu fraca e pouco participativa. E gosto pouco de partidos ideológicos, nunca gostei, talvez a culpa até não seja dos partidos ou das ideologias em si, mas sim destas terem desaparecido dos mesmos.
Então onde é que entra o Integralismo aqui? Entra que é um movimento anti partidário. Na história das ideias políticas o movimento mais próximo é claramente o movimento nacionalista Action Francese, nascido em França pela mão do seu líder e figura principal Maurras. Em Portugal tem como órgão uma revista A Nação Portuguesa e a sua principal figura foi António Sardinha. Do primeiro terço do Século XX, o Integralismo vai realizar um dura crítica à revolução liberal de 1789, principalmente ao estado centralizador e ao individualismo do Homem. Para o Integralismo o Homem não existe como indivíduo, suportando-se em estudos biológicos, afirma que o Homem nasce dentro de uma família, que o Homem não vive em comunidade por querer, mas sim por necessitar. Baseando-se na família, o esquema político vai dividir-se em grémios profissionais ("famílias" de profissionais, conhecidos como sindicatos hoje em dia), que formam os municípios, que vão formar as províncias e por fim a junção das mesmas forma a nação, dirigida por um Rei. Temos então um estado bastante descentralizado, a participação democrática existiria essencialmente a nível municipal. Um esquema político muito aproximado ao que existia em Portugal durante os séculos XIV e XV. O movimento Integral procura e encontra então na história os pilares para construir o futuro.
Mas o que é que isto levanta de relevante nos nossos dias? Gosto especialmente do conceito de família como base da sociedade. Será que muitos dos problemas existentes nos nossos dias não se devem ao egoísmo do "indivíduo" que apenas quer saber de si? Sobre o estado descentralizado é curioso de ver que também é completamente distinto do que exista à época e continua a manter-se hoje em dia. Um estado fortemente burocrático, centralizador e que parece preocupar-se pouco com as diferentes regiões. Não sofremos ainda hoje em dia de um domínio excessivo de Lisboa? Mais, será que o povo berrando com o primeiro ministro participa realmente na política do estado? Não seria melhor uma participação mais próxima, que defendesse realmente os seus interesses?
Para finalizar gostava de destacar outro factor importante, a política não está morta, não atingimos a perfeição e podemos claramente modifica-la. Quem sabe, como tantas vezes aconteceu em política, olhando para o passado?
domingo, 29 de maio de 2016
Vila Real de Santo António - Cidade "Sexy"
Neste mês de Maio li uma notícia em que o presidente da câmara de Vila Real de Santo António dizia que queria dar um ar mais "sexy" ao centro histórico das cidade a partir de algumas intervenções de reabilitação.
Podem imaginar que para alguém que conhece a história e a importância da cidade de VRSA o estrangeirismo "sexy" está longe de encaixar. A cidade tem de ser mais iluminista, mais próxima daquilo que é a sua origem, porque aí se encontra a riqueza e a diferenciação da mesma. Mas pronto, deixando estas coisas menores, até posso ver as coisas de forma positiva e encontrar uma mentalidade de valorização do centro histórico, mesmo que não seja perfeita. O problema é que eu conheço a cidade, conheço o trabalho do presidente de câmara e praticamente todos os dias faço caminhadas pela cidade. O que é que eu vejo? Bem, já reclamei dos carroceis, dos estado urbanístico e outras características que se afastam da racionalidade na origem da cidade. Agora o que é que eu tenho para reclamar? Do "sexy", do verdadeiro "sexy", da verdadeira mentalidade que está por detrás de quem gere a cidade. Na imagem podem ver o estado da calçada e que na mesma se encontram corpos de gatos mortos e em decomposição, a mesma calçada encontra-se defronte, em direção ao rio, da zona industrial e antecede em poucos metros o edificado recente da cidade, além da também abandonada e em estado deplorável zona de transporte público rodoviário. Eu não escrevi este texto mais cedo porque quis dar algum tempo de margem para ver se a câmara realizava algum trabalho, mas passado uns dias nada foi feito. E esta é a verdadeira cidade "sexy", não se deixem enganar por publicidades enganosas, ou por números fantásticos de investimento urbano, porque a realidade da cidade é esta. O futuro das cidades está também dependente é dos seus habitantes, de uma verdadeira democracia, de uma participação popular que permita a melhoria das condições de vida nas suas cidades. A população não pode continuar a deixar-se ser enganada, a pensar que democracia é reclamar com o "Costa" ou o "Coelho", porque não é, a democracia baseia-se na participação activa e a mesma deve começar pelos sítios de residência.
De realçar que isto não necessita de investimento avultado, é só mesmo uma demonstração do espírito que rege a cidade de Vila Real de Santo António e outras tantas neste Algarve.
Podem imaginar que para alguém que conhece a história e a importância da cidade de VRSA o estrangeirismo "sexy" está longe de encaixar. A cidade tem de ser mais iluminista, mais próxima daquilo que é a sua origem, porque aí se encontra a riqueza e a diferenciação da mesma. Mas pronto, deixando estas coisas menores, até posso ver as coisas de forma positiva e encontrar uma mentalidade de valorização do centro histórico, mesmo que não seja perfeita. O problema é que eu conheço a cidade, conheço o trabalho do presidente de câmara e praticamente todos os dias faço caminhadas pela cidade. O que é que eu vejo? Bem, já reclamei dos carroceis, dos estado urbanístico e outras características que se afastam da racionalidade na origem da cidade. Agora o que é que eu tenho para reclamar? Do "sexy", do verdadeiro "sexy", da verdadeira mentalidade que está por detrás de quem gere a cidade. Na imagem podem ver o estado da calçada e que na mesma se encontram corpos de gatos mortos e em decomposição, a mesma calçada encontra-se defronte, em direção ao rio, da zona industrial e antecede em poucos metros o edificado recente da cidade, além da também abandonada e em estado deplorável zona de transporte público rodoviário. Eu não escrevi este texto mais cedo porque quis dar algum tempo de margem para ver se a câmara realizava algum trabalho, mas passado uns dias nada foi feito. E esta é a verdadeira cidade "sexy", não se deixem enganar por publicidades enganosas, ou por números fantásticos de investimento urbano, porque a realidade da cidade é esta. O futuro das cidades está também dependente é dos seus habitantes, de uma verdadeira democracia, de uma participação popular que permita a melhoria das condições de vida nas suas cidades. A população não pode continuar a deixar-se ser enganada, a pensar que democracia é reclamar com o "Costa" ou o "Coelho", porque não é, a democracia baseia-se na participação activa e a mesma deve começar pelos sítios de residência.
De realçar que isto não necessita de investimento avultado, é só mesmo uma demonstração do espírito que rege a cidade de Vila Real de Santo António e outras tantas neste Algarve.
terça-feira, 10 de maio de 2016
Igreja de São Francisco, Faro
Vou tentar facilitar, deixar de parte os pontos mais científicos e conhecidos da história como são as datas e os nomes. Será uma análise da qualidade artística e da sua importância.
Quem entra na Igreja de São Francisco de Faro é logo absorvido por uma belíssima obra de arte total. Curiosamente a entrada na igreja é a parte mais recente da igreja, este primeiro espaço corresponde à nave e é composta por pinturas e talha policromada a fingir marmoreados. As pinturas são das mais interessantes na cidade de Faro, pertencem ao estilo artístico conhecido por neoclassismo (Finais do século XVIII e inícios do século XIX) e são encomendadas em Roma pelo mais saudoso Bispo do Algarve. Um Bispo que é um mecenas das artes e traz para o Algarve um novo gosto artístico. É esse o estilo que podemos ver nas pinturas com cenas da vida de São Francisco, realizadas por dois artistas Romanos, destaco principalmente as figuras angelicais dos quadros no lado esquerdo, tocam instrumentos musicais e são de uma grande sensibilidade pictórica.
O espaço central da Igreja, é um octogono, uma tipologia arquitectónica de grande erudição, realizada pelo principal mestre pedreiro (arquitecto) Algarvio no século XVIII. Espaço que conjuga ainda uma riqueza decorativa composta pela talha e o azulejo, as grandes artes portuguesas no período barroco. Os retábulos de talha dourada, os grandes arcos policromados e a cúpula... O que dizer da cúpula? Não sei, visitem, admirem e deixem-se estar. Todo um conjunto de talha rococó, único e que conjugado com os azulejos de períodos distintos, mas também de grande qualidade, torna este espaço num dos mais importantes da Arte Algarvia e um dos mais importantes do período rococó em Portugal.
O último espaço, composto igualmente por azulejos e talha, mas onde os azulejos assumem uma importância maior. Apesar de todos os problemas que o terramoto de 1755 criou na Igreja, a verdade é que ainda se pode admirar nas partes laterais da abóbada o trabalho executado pelo principal mestre azulejador português, além do no espaço central visualizar-se outros azulejos rococós, que se distinguem perfeitamente pelas cores douradas e roxo-de-manganés. Por último o retábulo da Capela-Mor, ao fundo da mesma, realizado principalmente em talha dourada, composto por um enorme trono e sobre o mesmo encontra-se um dossel enriquecido por Sanefas.
Uma igreja de enorme qualidade arrisca, lindíssima, uma preciosidade da arte algarvia, que merece ser mais destacada e mais visitada. Localizada no Largo de São Francisco, frente à ria, próxima das muralhas, junto ao Convento de São Francisco que é hoje a Escola de Turismo.
Que a mentalidade vá mudando, que o "nosso" seja valorizado, a cultura ganhe importância e o Algarve deixe de ser esta "pobreza franciscana".
Quem entra na Igreja de São Francisco de Faro é logo absorvido por uma belíssima obra de arte total. Curiosamente a entrada na igreja é a parte mais recente da igreja, este primeiro espaço corresponde à nave e é composta por pinturas e talha policromada a fingir marmoreados. As pinturas são das mais interessantes na cidade de Faro, pertencem ao estilo artístico conhecido por neoclassismo (Finais do século XVIII e inícios do século XIX) e são encomendadas em Roma pelo mais saudoso Bispo do Algarve. Um Bispo que é um mecenas das artes e traz para o Algarve um novo gosto artístico. É esse o estilo que podemos ver nas pinturas com cenas da vida de São Francisco, realizadas por dois artistas Romanos, destaco principalmente as figuras angelicais dos quadros no lado esquerdo, tocam instrumentos musicais e são de uma grande sensibilidade pictórica.
O espaço central da Igreja, é um octogono, uma tipologia arquitectónica de grande erudição, realizada pelo principal mestre pedreiro (arquitecto) Algarvio no século XVIII. Espaço que conjuga ainda uma riqueza decorativa composta pela talha e o azulejo, as grandes artes portuguesas no período barroco. Os retábulos de talha dourada, os grandes arcos policromados e a cúpula... O que dizer da cúpula? Não sei, visitem, admirem e deixem-se estar. Todo um conjunto de talha rococó, único e que conjugado com os azulejos de períodos distintos, mas também de grande qualidade, torna este espaço num dos mais importantes da Arte Algarvia e um dos mais importantes do período rococó em Portugal.
O último espaço, composto igualmente por azulejos e talha, mas onde os azulejos assumem uma importância maior. Apesar de todos os problemas que o terramoto de 1755 criou na Igreja, a verdade é que ainda se pode admirar nas partes laterais da abóbada o trabalho executado pelo principal mestre azulejador português, além do no espaço central visualizar-se outros azulejos rococós, que se distinguem perfeitamente pelas cores douradas e roxo-de-manganés. Por último o retábulo da Capela-Mor, ao fundo da mesma, realizado principalmente em talha dourada, composto por um enorme trono e sobre o mesmo encontra-se um dossel enriquecido por Sanefas.
Uma igreja de enorme qualidade arrisca, lindíssima, uma preciosidade da arte algarvia, que merece ser mais destacada e mais visitada. Localizada no Largo de São Francisco, frente à ria, próxima das muralhas, junto ao Convento de São Francisco que é hoje a Escola de Turismo.
Que a mentalidade vá mudando, que o "nosso" seja valorizado, a cultura ganhe importância e o Algarve deixe de ser esta "pobreza franciscana".
terça-feira, 3 de maio de 2016
Ermida Senhor do Bonfim, Horta do Ourives
A capela que nunca sofreu uma obra de intervenção, apesar de já em 1977, Pinheiro e Rosa, publicar um artigo no jornal "O Algarve" alarmar para a situação de abandono, ano em que ainda se encontrava num "estado tolerável" de conservação, mas que como o próprio indica, passados sete anos o estado de ruína era desolador. Passados uns anos, em 1999, também Francisco Lameira, no desdobrável sobre o desembargador, refere a necessidade de "reabilitação urgente". Passados quase 40 anos do toque de alarme de Pinheiro e Rosa, nada foi realizado, só é possível imaginar o quanto se perdeu nestes anos. Um excelente exemplo de falta de sensibilidade patrimonial, num local onde hoje atravessa um importante eixo viário, onde foi realizada a grande obra de arquitectura contemporânea do Teatro das Figuras, realizadas urbanizações e zonas comerciais, mas um pequeno templo religioso composto por uma riqueza decorativa interior louvável, encontra-se em ruína avançada.
Será este o Algarve que queremos?
Será este o Algarve que queremos?
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