Eu nesta cidade acho que vejo de tudo. São tantas as pequenas ilegalidades que às tantas a população já deve achar normal. Eu sei que Vila Real de Santo António, apesar do seu nome pomposo e a sua fundação nobre, continua a ser Portugal, com uma população que desconhece por completo a cidade em que vive, mas mesmo assim tem que haver limites, a câmara municipal não pode deixar tudo acontecer.
Existe um hotel no centro histórico que tem uma garagem de acesso sobre um passeio e zona pedonal. Nem devia existir um hotel naquela zona, muito menos sendo um edifício com quatro andares, nem a respectiva garagem. Mas pronto, lá está o hotel, os carros podem aceder à garagem apenas a umas respectivas horas, o problema é que os abusos da lei fazem com que haja carros a toda a hora, que entram à vontade e vão além do acesso ao hotel, transformando uma rua pedonal num parque de estacionamento.
Depois são as esplanadas por tudo o que é sítio, o passeio nesta terra ou tem carros, ou tem esplanadas, tendo muitas vezes ambos. Destaco principalmente a esplanada antes da estação ferroviária como o abuso total, que "empurra" os peões para a estrada.
Os ciclistas andam tanto pelo passeio, como pela estrada, ciclovias urbanas é coisa inexistente. Ayamonte aqui ao lado, tem ciclovia pela cidade quase toda. Não esquecer que apesar de Ayamonte ser Espanha, é também Andaluzia, uma região pobre e com números de desemprego assustadores.
As motas estacionam todas no passeio, alguns até têm o desplante de meter uma capa e de as deixar eternamente no passeio.
Marquises pela cidade toda. Casas de alvenarias e compostas com argamassas de cal, recuperadas com rebocos de cimento, daqui a uns anos choram. Carros, carroceis, bancas e afins colocadas eternamente na praça real da cidade, transformando o espaço nobre, numa espécie de feira eterna.
E hoje, na minha caminhada, descubro uma nova ilegalidade que despoletou a necessidade de escrever este texto. No bairro social em frente ao lidl, alguém decidiu agarrar nuns tijolos e cimento, construindo um pequeno espaço em frente da sua casa, no passeio público, utilizado esse pequeno espaço como uma espécie varanda/balcão privativo. Como é que é possível tal acontecer? A pessoa simplesmente chegou e tirou um espaço público.
A cidade funciona toda de uma forma muito estranha. Tem umas placas ao nível dos maiores ditadores, a glorificar as obras deste executivo. Outras placas a dizer uma hipotética candidatura a património mundial, fazendo de conta que já o é.
Mas pronto, como nós em Portugal confundimos democracia com liberalismo, achamos que está tudo perfeito e que não há nada a fazer.
domingo, 31 de julho de 2016
segunda-feira, 18 de julho de 2016
Um Algarve de Futuro?
Hoje uma notícia do jornal Público, informava que finalmente no Algarve a construção realizada de casas novas, tinha por base a demolições de edifícios com cerca de 30 anos, em vez da ocupação de terrenos e terrenos, como tem sucedido ao longo das décadas no Algarve, onde zonas verdes, aquíferas, de reservas agrícolas e outras foram ocupadas em prol da loucura da construção civil que respondia a todos os males da sociedade, mas na realidade destruía maior parte dos valores ambientais e paisagísticos do Algarve.
Eu dificilmente podia ficar mais feliz, talvez por este caminho possam acontecer várias coisas fantásticas num período de algumas décadas. Primeiro, pode ser que estas demolições cheguem até aos inúmeros prédios construídos nas décadas de 70 e 80, dando lugar a edifícios de maior qualidade e de menor dano para o aspecto visual das cidades (só de imaginar Faro sem o edifício do "Seu Café" fico arrepiado). Depois com as demolições abrem-se hipóteses do Algarve agarrar novas oportunidades de valorização da sua cultura e tradição. Os materiais como o cimento e o betão são excessivamente poluentes e prejudiciais para o meio ambiente, principalmente percebendo que terão um curto período de vida e dificilmente são reutilizados. Logo materiais e formas construtivas tradicionais, como o Taipa, a Cal ou a utilização de Alvenarias, podem muito facilmente ter lugar nestas novas construções (um mero exemplo, muito recente "http://www.sulinformacao.pt/2016/03/clube-house-do-espiche-golfe-e-unico-nomeado-do-algarve-para-premio-nacional-do-imobiliario/"). São bastante mais ecológicos, considerando que maior parte das vezes são mesmo os materiais que existem no próprio terreno, sendo também muito facilmente reutilizáveis. Os romanos utilizavam estes materiais, faziam enormes Vilas de um luxo dificilmente existente hoje no triângulo dourado do Algarve, e faziam-no com uma inferior capacidade tecnológica. Para o Algarve se tal acontecesse era fantástico, aumentava a independência da economia algarvia, dinamizava tradições milenares, criava empregos de maior valor do que o simples assentamento, contribuindo para uma industrialização que devia ter acontecido logo no período em que o turismo chegou e construção começou em grande escala, em vez do abandono dos materiais tradicionais em prol de outros já industrializados vindos do exterior. Além disto a conservação e reabilitação do edificado tradicional retiraria consequências muito positivas, já que a tradição mais do que um sinónimo do passado, seria uma força com passado, presente e futuro, criando os conhecimentos e capacidade construtiva que hoje se encontra quase esquecida.
Noutro nível, terrenos actualmente abandonados, literalmente à espera de terem licenças para construção, podiam finalmente desistirem de tais esperanças e voltarem a ter utilização agrícola. Principalmente os terrenos do litoral, antigamente terrenos de grande produção vinícola ou de importantes hortas, mas também os terrenos do barrocal e interior podiam recuperar as tradições de culturas agrícolas se sequeiro, menos prejudiciais para os terrenos, com um nível baixo de consumo de água, que em tempos foram o sustento das populações algarvias e mesmo importantes fontes de riqueza, falo pois, da figueira, da amendoeira e alfarrobeira.
Como as minhas esperanças crescem com uma simples notícia de demolições de casas, para se realizarem outros casas de luxo, vejo um sinal de toda uma mudança no Algarve. A verdade é que esta grande mudança, tão necessária para acabar com a sazonalidade extrema e o desaproveitamento das potencialidades económicas do Algarve, só acontecerá com uma grande mudança de mentalidades e a iniciativa de quem pensa de forma diferente. Por enquanto o Público, na minha opinião de longe o melhor jornal português, vai colher informações em empresários de construção, muito limitados nos seus conhecimentos e em donos de bares ou discotecas, que pouco mais sabem do que explorar uns quantos jovens necessitados de emprego durante os meses de verão.
Aqui fica a notícia e o trecho que considerei mais importante:
“Novo negócio do Algarve é demolir casas de luxo para construir de novo” - Idálio Revez 18/07/2016 - 07:24
“…Na área da construção civil — particularmente no segmento médio/alto —, o mercado voltou a dar sinais de recuperação. Desde o último trimestre do ano passado e primeiro trimestre de 2016 foram vendidas, no Vale do Lobo, 70 moradias — a maior parte das aquisições com o objectivo de deitar abaixo e construir de novo. Em casas com 20 ou 30 anos de idade, quando se pretende adquirir novos níveis de conforto, aconselham os técnicos, não compensa o restauro. É mais fácil (e às vezes mais barato) construir de novo. … “
domingo, 26 de junho de 2016
Urbanismo Medieval
No outro dia escrevi sobre o urbanismo Islâmico. Hoje vou tentar escrever sobre o urbanismo Medieval, cristão e português.
A época medieval europeia não é durante muitos séculos uma cultura urbana, as cidades da antiguidade clássica vão sendo abandonadas, em prol da vida do campo, mais segura e garantia subsistência, ao contrário das cidades que sentem a falta de um poder autoritário que as proteja. O maior exemplo deste fenómeno será a própria cidade de Roma, grande capital do império, com um milhão de habitantes e que no século XIV tem cerca de 40000 habitantes. O mundo medieval substitui as grandes cidades estado, autosuficentes, por cidades pequenas, próximas umas das outras e que vivem em cooperação, não posso garantir, mas acredito que antes do século XI não existia cidade nenhuma na Europa que tivesse mais de 100 000 habitantes.
Então mas como é que se processa o urbanismo medieval? Um pouco como todos sabem, construção de muralhas, zonas elevadas, próximas a rios e um urbanismo algo desorganizado. Mas a partir dos séculos XI e XII as coisas começam a alterar-se. São fundadas novas cidades, novas partes de cidades, mais organizadas, pensadas e que abandonam as zonas mais elevadas, por zonas de vales, criando as partes "Altas" e "Baixas" das cidades. Existindo mesmo cidades novas fortemente organizadas e racionalizadas. Mas essa não é a essência do Urbanismo Medieval, o crescimento natural, baseado num casario baixo, onde os mais importantes edifícios se destacam pela altura (imaginem uma catedral gótica com os seus pináculos, numa cidade com maior parte das casas com um piso) e a rua é o eixo essencial da vida da população. Em Portugal o papel da rua é tanto durante a época medieval, que até as grandes modificações urbanísticas na cidade de Lisboa são construções de ruas. E as cidades portuguesas constroem-se a partir da rua principal, a famosa Rua Direi(c)ta, que ligava todos os edifícios relevantes e as portas da cidade. Porque a rua? Pelas condições de vida das habitações, casas pequenas, sem divisões, sem grandes aberturas, sem zonas de higiene e construídas em materiais pobres, como se diz muitas vezes "frias no inverno, quentes no verão", as casas literalmente expulsam as pessoas para rua. A cidade também tem outros espaços importantes, não é só a rua, o outro espaço mais importante será o adro da igreja, onde se realizam um grande número de actividades, desde cerimónias religiosas a profanas.
Por fim, dizer que as cidades portuguesas passam pelo mesmo que as restantes cidades europeias, tendência a abandonar as zonas altas por zonas baixas, cidades pequenas, próximas, até a principal, Lisboa na época medieval mantinha fortes relações de solidariedade com Santarém, dividindo protagonismo. Mas também novas cidades bastante organizadas, sendo o principal exemplo a cidade de Tomar.
A época medieval europeia não é durante muitos séculos uma cultura urbana, as cidades da antiguidade clássica vão sendo abandonadas, em prol da vida do campo, mais segura e garantia subsistência, ao contrário das cidades que sentem a falta de um poder autoritário que as proteja. O maior exemplo deste fenómeno será a própria cidade de Roma, grande capital do império, com um milhão de habitantes e que no século XIV tem cerca de 40000 habitantes. O mundo medieval substitui as grandes cidades estado, autosuficentes, por cidades pequenas, próximas umas das outras e que vivem em cooperação, não posso garantir, mas acredito que antes do século XI não existia cidade nenhuma na Europa que tivesse mais de 100 000 habitantes.
Então mas como é que se processa o urbanismo medieval? Um pouco como todos sabem, construção de muralhas, zonas elevadas, próximas a rios e um urbanismo algo desorganizado. Mas a partir dos séculos XI e XII as coisas começam a alterar-se. São fundadas novas cidades, novas partes de cidades, mais organizadas, pensadas e que abandonam as zonas mais elevadas, por zonas de vales, criando as partes "Altas" e "Baixas" das cidades. Existindo mesmo cidades novas fortemente organizadas e racionalizadas. Mas essa não é a essência do Urbanismo Medieval, o crescimento natural, baseado num casario baixo, onde os mais importantes edifícios se destacam pela altura (imaginem uma catedral gótica com os seus pináculos, numa cidade com maior parte das casas com um piso) e a rua é o eixo essencial da vida da população. Em Portugal o papel da rua é tanto durante a época medieval, que até as grandes modificações urbanísticas na cidade de Lisboa são construções de ruas. E as cidades portuguesas constroem-se a partir da rua principal, a famosa Rua Direi(c)ta, que ligava todos os edifícios relevantes e as portas da cidade. Porque a rua? Pelas condições de vida das habitações, casas pequenas, sem divisões, sem grandes aberturas, sem zonas de higiene e construídas em materiais pobres, como se diz muitas vezes "frias no inverno, quentes no verão", as casas literalmente expulsam as pessoas para rua. A cidade também tem outros espaços importantes, não é só a rua, o outro espaço mais importante será o adro da igreja, onde se realizam um grande número de actividades, desde cerimónias religiosas a profanas.
Por fim, dizer que as cidades portuguesas passam pelo mesmo que as restantes cidades europeias, tendência a abandonar as zonas altas por zonas baixas, cidades pequenas, próximas, até a principal, Lisboa na época medieval mantinha fortes relações de solidariedade com Santarém, dividindo protagonismo. Mas também novas cidades bastante organizadas, sendo o principal exemplo a cidade de Tomar.
Guernica - Pintura - Pablo Picasso
A pintura Guernica é hoje reconhecida por muitos críticos como a principal pintura do século XX e a obra-prima de Pablo Picasso.
Na minha singela opinião tal se deve à união entre tema e forma que se encontra em Guernica; principalmente ao tipo de tema histórico que parecia arredado da arte do século XX. Isto não significa que a mestria de Picasso apareça como secundário, é essa mestria que justifica o tema, é a capacidade artística que permite sentir um conjunto de emoções que se aproximam da realidade histórica.
A crítica de Guernica nem sempre foi positiva, ao tempo da sua exposição inicial não agradou nem a "Gregos", nem a "Troianos", numa actualização para o século XX, nem a fascistas, nem a comunistas. O porque é óbvio, Picasso não pintou a "glória" da Guerra, nem ideologias políticas, mas sim as trágicas consequências do bombardeamento alemão à pequena aldeia Basca Guernica, sem valor militar, apenas semeando a destruição e a morte nos habitantes inocentes.
Picasso afirma-se assim como um agente do sofrimento, como um opositor da guerra e utilizando a sua arte para relembrar os danos nefastos desta. Para o conseguir recorre apenas a três cores, o preto, o cinzento e o branco, por outras palavras a luz e a ausência de luz; dando a ideia que a acção decorre num quarto escuro, onde se encontram um conjunto de figuras em gestos trágicos, originando uma pintura de dor, horror, morte e sofrimento. Com um rico simbolismo, que pode levantar várias e distintas opiniões, mas que incide principalmente na tragédia, apesar de como em todos os males, parece ficar sob tudo pequenos símbolos de esperança. Destaco duas figuras trágicas, uma mãe com o filho morto nos braços, numa Pietà cubista em que toda a mãe é dor e que até os próprios olhos têm a forma de lágrimas; e o guerreiro caído, morto, olhando o espectador, que segura numa mão uma espada quebrada e na outra parece mostrar as chagas de cristo. As restantes figuras conjugam-se nesse sentimento de dor, três delas femininas e em gestos trágicos, uma delas mesmo em chamas e a gritar, mas duas das figuras direcionam o olhar para o único símbolo de modernidade, "la bombilla", a lâmpada eléctrica, a quem uma das figuras parece mostrar uma candeia, num gesto que relembra por exemplo a estátua da liberdade de Bartholi e que parece um gesto de racionalidade perante o dano causado pela "bombilla". O cavalo e o touro figuras já utilizados por Picasso anteriormente, também aparecem em Guernica reforçando a riqueza simbólica e o dramatismo da cena. Outros símbolos podiam ser destacados, mais pequenos, mais complicados de se ver como o galo também a "gritar" e como a flor na mão do guerreiro. Que apesar de interpretação complicada e não desenvolver aqui, merecem um destaque para demonstrar a riqueza da obra e a atenção a todos os pormenores de Pablo Picasso.
Guernica o apogeu da obra de Picasso, uma história de horror, que retrata os sofrimentos da população de Guernica, testemunhando os problemas da época, com o objectivo de tal como Géricault o tinha feito na Jangada de Medusa, de sensibilizar, impressionar e destacar um acontecimento negro da história, mas utilizando os recursos artísticos cubistas e surrealistas, realizando um cubismo distinto, mais consciente, que demonstra a capacidade da arte do século XX.
Na minha singela opinião tal se deve à união entre tema e forma que se encontra em Guernica; principalmente ao tipo de tema histórico que parecia arredado da arte do século XX. Isto não significa que a mestria de Picasso apareça como secundário, é essa mestria que justifica o tema, é a capacidade artística que permite sentir um conjunto de emoções que se aproximam da realidade histórica.
A crítica de Guernica nem sempre foi positiva, ao tempo da sua exposição inicial não agradou nem a "Gregos", nem a "Troianos", numa actualização para o século XX, nem a fascistas, nem a comunistas. O porque é óbvio, Picasso não pintou a "glória" da Guerra, nem ideologias políticas, mas sim as trágicas consequências do bombardeamento alemão à pequena aldeia Basca Guernica, sem valor militar, apenas semeando a destruição e a morte nos habitantes inocentes.
Picasso afirma-se assim como um agente do sofrimento, como um opositor da guerra e utilizando a sua arte para relembrar os danos nefastos desta. Para o conseguir recorre apenas a três cores, o preto, o cinzento e o branco, por outras palavras a luz e a ausência de luz; dando a ideia que a acção decorre num quarto escuro, onde se encontram um conjunto de figuras em gestos trágicos, originando uma pintura de dor, horror, morte e sofrimento. Com um rico simbolismo, que pode levantar várias e distintas opiniões, mas que incide principalmente na tragédia, apesar de como em todos os males, parece ficar sob tudo pequenos símbolos de esperança. Destaco duas figuras trágicas, uma mãe com o filho morto nos braços, numa Pietà cubista em que toda a mãe é dor e que até os próprios olhos têm a forma de lágrimas; e o guerreiro caído, morto, olhando o espectador, que segura numa mão uma espada quebrada e na outra parece mostrar as chagas de cristo. As restantes figuras conjugam-se nesse sentimento de dor, três delas femininas e em gestos trágicos, uma delas mesmo em chamas e a gritar, mas duas das figuras direcionam o olhar para o único símbolo de modernidade, "la bombilla", a lâmpada eléctrica, a quem uma das figuras parece mostrar uma candeia, num gesto que relembra por exemplo a estátua da liberdade de Bartholi e que parece um gesto de racionalidade perante o dano causado pela "bombilla". O cavalo e o touro figuras já utilizados por Picasso anteriormente, também aparecem em Guernica reforçando a riqueza simbólica e o dramatismo da cena. Outros símbolos podiam ser destacados, mais pequenos, mais complicados de se ver como o galo também a "gritar" e como a flor na mão do guerreiro. Que apesar de interpretação complicada e não desenvolver aqui, merecem um destaque para demonstrar a riqueza da obra e a atenção a todos os pormenores de Pablo Picasso.
Guernica o apogeu da obra de Picasso, uma história de horror, que retrata os sofrimentos da população de Guernica, testemunhando os problemas da época, com o objectivo de tal como Géricault o tinha feito na Jangada de Medusa, de sensibilizar, impressionar e destacar um acontecimento negro da história, mas utilizando os recursos artísticos cubistas e surrealistas, realizando um cubismo distinto, mais consciente, que demonstra a capacidade da arte do século XX.
Urbanismo Barroco
É o urbanismo barroco que concretiza o urbanismo moderno, ao contrário do que aconteceu durante o renascimento, quando as alterações urbanísticas são pontuais e as formas de viver a cidade continuam praticamente as mesmas que durante a época medieval, o barroco criou grandes planos urbanísticos, quer de reorganização e expansão urbana, quer novas planificações.
A razão da alteração do paradigma urbanístico, está fortemente relacionado com a importância de determinadas cidades que passam a acolher um poder centralizador. Essas cidades conhecidas como capitais, sedes da corte e que se sobrepõem a outras cidades dentro de um estado, são cidades que sofrem uma grande expansão territorial e crescimento populacional durante a época barroca, que proporciam a criação de importantes planos urbanísticos; planos são orientados pelo poder autoritário, do Rei, do Príncipe ou do Papa, que utiliza o urbanismo para vincar o seu poder. As grandes cidades barrocas e onde se espelha o urbanismo barroco são então as grandes capitais europeias.
O urbanismo propriamente dito do barroco, utiliza os estudos teóricos do renascimento, mas afasta-se das cidades ideiais, de cidades em que os planos urbanísticos obedecem aos princípios da ordem e harmonia do cosmos, procurando sim criar cidades em que as percepções visuais são o elemento mais relevante, conduzindo o olhar do visitante da cidade aos elementos mais importantes e representativos do poder autoritário. Para criar essas percepções visuais, o barroco vai utilizar um instrumento típico da arte moderna, a perspectiva, assumindo a mesma importância que já tinha em artes como a pintura e a arquitectura. A perspectiva adaptada ao urbanismo assenta na perspectiva viária, formando-se vias rectas, compostas por edifícios de arquitetura uniforme. Métodos que permitem um olhar sem perturbações para a vista pretendida, muitas vezes tratando-se de praças, igrejas e palácios. Convertendo a cidade não numa cidade perfeita em harmonia com o cosmos, mas sim numa expressão do poder autoritário, onde os grandes momentos se sobrepõem e guiam os planos urbanísticos, de destacar que importância do poder no urbanismo barroco vai ser exponenciado nas cidades residência, formadas em dependência do palácio e que conduz todos os olhares, sendo o melhor exemplar o palácio de Versalhes.
O gosto cenográfico do barroco, tem na perspectiva um dos maiores aliados, criando espectáculos visuais, transformando as cidades em cenários de poder e impressionando os que têm a possibilidade de as visitar.
A razão da alteração do paradigma urbanístico, está fortemente relacionado com a importância de determinadas cidades que passam a acolher um poder centralizador. Essas cidades conhecidas como capitais, sedes da corte e que se sobrepõem a outras cidades dentro de um estado, são cidades que sofrem uma grande expansão territorial e crescimento populacional durante a época barroca, que proporciam a criação de importantes planos urbanísticos; planos são orientados pelo poder autoritário, do Rei, do Príncipe ou do Papa, que utiliza o urbanismo para vincar o seu poder. As grandes cidades barrocas e onde se espelha o urbanismo barroco são então as grandes capitais europeias.
O urbanismo propriamente dito do barroco, utiliza os estudos teóricos do renascimento, mas afasta-se das cidades ideiais, de cidades em que os planos urbanísticos obedecem aos princípios da ordem e harmonia do cosmos, procurando sim criar cidades em que as percepções visuais são o elemento mais relevante, conduzindo o olhar do visitante da cidade aos elementos mais importantes e representativos do poder autoritário. Para criar essas percepções visuais, o barroco vai utilizar um instrumento típico da arte moderna, a perspectiva, assumindo a mesma importância que já tinha em artes como a pintura e a arquitectura. A perspectiva adaptada ao urbanismo assenta na perspectiva viária, formando-se vias rectas, compostas por edifícios de arquitetura uniforme. Métodos que permitem um olhar sem perturbações para a vista pretendida, muitas vezes tratando-se de praças, igrejas e palácios. Convertendo a cidade não numa cidade perfeita em harmonia com o cosmos, mas sim numa expressão do poder autoritário, onde os grandes momentos se sobrepõem e guiam os planos urbanísticos, de destacar que importância do poder no urbanismo barroco vai ser exponenciado nas cidades residência, formadas em dependência do palácio e que conduz todos os olhares, sendo o melhor exemplar o palácio de Versalhes.
O gosto cenográfico do barroco, tem na perspectiva um dos maiores aliados, criando espectáculos visuais, transformando as cidades em cenários de poder e impressionando os que têm a possibilidade de as visitar.
quinta-feira, 23 de junho de 2016
Urbanismo Islâmico
O Islão expandiu-se rapidamente e por vastos território desde o ocidente até ao oriente. O urbanismo implantado pelo Islão não é muitas mais do que uma simples adaptação a cidades pré-existentes, sendo raras as vezes em que o mesmo cria o seu próprio espaço urbano. As cidades islâmicas são muitas vezes consideradas como confusas e labirínticas, isso não significa que o urbanismo do Islão seja todo dessa forma, mas é um importante ponto de partida para compreender uma diferença essencial entre o urbanismo islâmico e o urbanismo cristão.
A diferença entre um e outro, não é que um seja organizado e outro não, mais o urbanismo Medieval cristão é praticamente inexistente até ao século XI, porque a população vai ocupar o campo e não as cidades, o que não acontece no mundo islâmico, que ocupa principalmente as cidades pré-existentes. A principal diferença é o conceito de rua, a rua medieval cristã é um espaço importantíssimo, a vida no interior das casas era desagradável e então a população realizava a sua vida nesse espaço comum, o contrário acontece no mundo islâmico, mais quente, onde o espaço interior da casa consiste num espaço aberto e outro fechado, não necessitando tanto da rua, a cultura islâmica vai criar ruas mais estreitas, onde as sombras abundam, sendo simplesmente eixos de ligação da habitação aos espaços públicos mais importantes.
Importante referir a forma de organização urbana das cidades islâmicas, que vai continuar essencialmente igual nas cidades portuguesas, no sul, durante vários séculos. Uma zona fortemente amuralhada, a Alcaçova, espaço essencialmente militar, mas também de poder onde se encontrava o Alcácer (palácio); também amuralhado o espaço da Medina, a cidade propriamente dita, onde se encontravam todos os edifícios mais importantes, como a Mesquita, o Bazar e os Banhos. E por último um espaço fora das muralhas, os arrabaldes, espaço urbano e rural, onde se encontravam importantes culturas agrícolas. Este espaço vai ser aproveitado pelo mundo cristão para formar os bairros de mouros.
O melhor exemplo que eu conheço deste tipo de cidade islâmica será Silves, é ainda bem visível a Alcaçova (Castelo) e alguns trocos da muralha da Medina. É pena que a muralha da Medina esteja mal aproveitada, exceptuando o espaço de muralha aproveitado pelo museu. De referir também que em Lisboa só se vai abandonar o espaço da Alcaçova com o Rei D. Manuel I, já em época moderna, um exemplo da importância de conhecer este tipo de organização urbana e não ficar só pelos conceitos simplistas de "irracional", "confuso" e "labiríntico".
Nos anos 60, Fernando Chueca Goitia, escreveu isto sobre as possibilidades futuras do urbanismo islâmico: "Elas pareciam-nos até agora o cúmulo da inadaptação à vida moderna, pela impossibilidade de circulação automóvel nestas cidades. Esta circulação atingiu, no entanto, tais proporções que mesmo nas cidades modernas chegara um dia em que terá de ser proibida no centro, ficando partes importantes reservadas exclusivamente aos peões. Estas medinas muçulmanas poderão vir a ser excelentes ilhotas, no coração da urbe do futuro, lugares para gozar a calma e o silêncio, ou para o discreto deambular pelas ruas animadas e pitorescas. Assim se reatará a vida de cidade, a vida de rua, que o automóvel, esse monstro insaciável, está fazendo desaparecer das nossas urbes".
Conhecer o passado, pode ser um caminho para melhorar o futuro.
A diferença entre um e outro, não é que um seja organizado e outro não, mais o urbanismo Medieval cristão é praticamente inexistente até ao século XI, porque a população vai ocupar o campo e não as cidades, o que não acontece no mundo islâmico, que ocupa principalmente as cidades pré-existentes. A principal diferença é o conceito de rua, a rua medieval cristã é um espaço importantíssimo, a vida no interior das casas era desagradável e então a população realizava a sua vida nesse espaço comum, o contrário acontece no mundo islâmico, mais quente, onde o espaço interior da casa consiste num espaço aberto e outro fechado, não necessitando tanto da rua, a cultura islâmica vai criar ruas mais estreitas, onde as sombras abundam, sendo simplesmente eixos de ligação da habitação aos espaços públicos mais importantes.
Importante referir a forma de organização urbana das cidades islâmicas, que vai continuar essencialmente igual nas cidades portuguesas, no sul, durante vários séculos. Uma zona fortemente amuralhada, a Alcaçova, espaço essencialmente militar, mas também de poder onde se encontrava o Alcácer (palácio); também amuralhado o espaço da Medina, a cidade propriamente dita, onde se encontravam todos os edifícios mais importantes, como a Mesquita, o Bazar e os Banhos. E por último um espaço fora das muralhas, os arrabaldes, espaço urbano e rural, onde se encontravam importantes culturas agrícolas. Este espaço vai ser aproveitado pelo mundo cristão para formar os bairros de mouros.
O melhor exemplo que eu conheço deste tipo de cidade islâmica será Silves, é ainda bem visível a Alcaçova (Castelo) e alguns trocos da muralha da Medina. É pena que a muralha da Medina esteja mal aproveitada, exceptuando o espaço de muralha aproveitado pelo museu. De referir também que em Lisboa só se vai abandonar o espaço da Alcaçova com o Rei D. Manuel I, já em época moderna, um exemplo da importância de conhecer este tipo de organização urbana e não ficar só pelos conceitos simplistas de "irracional", "confuso" e "labiríntico".
Nos anos 60, Fernando Chueca Goitia, escreveu isto sobre as possibilidades futuras do urbanismo islâmico: "Elas pareciam-nos até agora o cúmulo da inadaptação à vida moderna, pela impossibilidade de circulação automóvel nestas cidades. Esta circulação atingiu, no entanto, tais proporções que mesmo nas cidades modernas chegara um dia em que terá de ser proibida no centro, ficando partes importantes reservadas exclusivamente aos peões. Estas medinas muçulmanas poderão vir a ser excelentes ilhotas, no coração da urbe do futuro, lugares para gozar a calma e o silêncio, ou para o discreto deambular pelas ruas animadas e pitorescas. Assim se reatará a vida de cidade, a vida de rua, que o automóvel, esse monstro insaciável, está fazendo desaparecer das nossas urbes".
Conhecer o passado, pode ser um caminho para melhorar o futuro.
terça-feira, 21 de junho de 2016
A "Reconquista" e as suas Histórias
Na história de Portugal um dos períodos mais importantes e celebrados é o seu início, que consiste num período de "reconquista" de territórios a sul sobre o domínio muçulmano.
Muitas são as histórias contadas, é um período de muitas lendas e de uma percepção muito negativa do território ibérico controlado pelo Islão. No norte do país ainda se trata a população do Sul por "Mouro" termo pejorativo que considera ao mesmo tempo que Portugal só é Portugal a norte e que a cultura do Sul era mais pobre. Essa ideia das gentes do Norte não precisa de mais de 30 segundos para ser desmentida. A cultura, a arquitectura e a arte estavam num patamar muito superior a sul do que a norte e a população da época sabia-o na perfeição. Só que ao longo dos séculos, considerando que a história é escrita pelo povo vencedor, que expulsa o domínio muçulmano, vai formando ideias de superioridade sobre o mesmo. Nós temos essa mentalidade hoje em dia, o Algarve será uma região "atrasada" porque foi a última a expulsar o domínio muçulmano. É exactamente o oposto, o Algarve é diferente e melhor que o resto do país por essa influência, tal como outras tantas de povos com civilizações muito superiores aos povos do Norte. Mas pronto, eu não devo ir por estes caminhos, porque esse não é o verdadeiro papel do historiador, apesar de no Islão existirem banhos, palácios, organização urbana, saneamento, poesia, música e uma maior qualidade artística, não significa que o povo do Norte que vive no campo, não tem hábitos de higiene, nem culturais, seja pior ou menos desenvolvido.
Mas queria falar um pouco sobre a reconquista, porque conta muitas histórias além dos conceitos básicos que nos ensinam quando somos crianças. Ontem li a história no Geraldo, Sem Pavor.
A conquista de território nem sempre era realizada pelo rei e o seu exército, mais, as grandes cidades como Lisboa são conquistadas por exércitos cruzados do Norte e centro da Europa, também tal acontece com Silves, os exércitos a caminho da terra Santa acabavam por dar um enorme a apoio à reconquista portuguesa. Além dos cruzados ainda existiam as ordens militares, também de origem do centro e Norte da Europa, que por exemplo o sul de território foi conquistada quase só devido à ordem de São Tiago da Espada. E ainda há o exemplo do Geraldo, Sem Pavor, apoiado pelo rei D. Afonso Henriques, este homens, agia com um bando de arruaceiros e marginais, por sua conta, atacando pela noite as cidades, incendiado as muralhas e conquistando as cidades. Com o principal objectivo de conquistar Badajoz, conseguiu conquistar territórios próximos e em redor da mesma cidade. Tratando-se de uma cidade importante para o domínio islâmico, não esquecer que é das poucas cidades fundadas pelo Islão, obviamente que a defesa da mesma intensificou-se com militares de outros territórios. Mas o mais curioso para a História será que o próprio rei de Espanha vai enviar militares para impedir a conquista portuguesa de Badajoz. Sim, o Rei Cristão, apoiou os muçulmanos. A "reconquista" desculpa-se com a religião, mas obviamente que tem outros interesses por detrás e conquista de Badajoz por Portugal significava um domínio dos territórios actuais do Alentejo e Algarve, territórios que o rei espanhol também tinha interesse. Consequentemente a conquista de Badajoz viu-se frustrada pelos tropas portuguesas, apoiadas pelo rei, que nessa cidade viu a sua vida militar praticamente finalizada, tendo partido a perna na fuga do interior da cidade, capturado por tropas espanholas. O Sem Pavor, foi obrigado a entregar as praças conquistadas a muçulmanos e espanhóis. Curiosamente o mesmo vai continuar a incomodar constantemente os territórios muçulmanos, até que um período de tréguas celebrado entre cristãos e muçulmanos leva-o para Sevilha, onde irá comandar um exército muçulmano, mas o mesmo não tinha virado a casaca por completo, tendo sido descobertas cartas entre o mesmo e o rei de Portugal, incentivando a invasão de Marrocos, após a descoberta, foi condenado à morte.
São muitas as histórias que a "reconquista" conta, as relações entre os povos são talvez das mais curiosas e inesperadas. A história não é tão básica como muitas vezes nos dão a conhecer.
Muitas são as histórias contadas, é um período de muitas lendas e de uma percepção muito negativa do território ibérico controlado pelo Islão. No norte do país ainda se trata a população do Sul por "Mouro" termo pejorativo que considera ao mesmo tempo que Portugal só é Portugal a norte e que a cultura do Sul era mais pobre. Essa ideia das gentes do Norte não precisa de mais de 30 segundos para ser desmentida. A cultura, a arquitectura e a arte estavam num patamar muito superior a sul do que a norte e a população da época sabia-o na perfeição. Só que ao longo dos séculos, considerando que a história é escrita pelo povo vencedor, que expulsa o domínio muçulmano, vai formando ideias de superioridade sobre o mesmo. Nós temos essa mentalidade hoje em dia, o Algarve será uma região "atrasada" porque foi a última a expulsar o domínio muçulmano. É exactamente o oposto, o Algarve é diferente e melhor que o resto do país por essa influência, tal como outras tantas de povos com civilizações muito superiores aos povos do Norte. Mas pronto, eu não devo ir por estes caminhos, porque esse não é o verdadeiro papel do historiador, apesar de no Islão existirem banhos, palácios, organização urbana, saneamento, poesia, música e uma maior qualidade artística, não significa que o povo do Norte que vive no campo, não tem hábitos de higiene, nem culturais, seja pior ou menos desenvolvido.
Mas queria falar um pouco sobre a reconquista, porque conta muitas histórias além dos conceitos básicos que nos ensinam quando somos crianças. Ontem li a história no Geraldo, Sem Pavor.
A conquista de território nem sempre era realizada pelo rei e o seu exército, mais, as grandes cidades como Lisboa são conquistadas por exércitos cruzados do Norte e centro da Europa, também tal acontece com Silves, os exércitos a caminho da terra Santa acabavam por dar um enorme a apoio à reconquista portuguesa. Além dos cruzados ainda existiam as ordens militares, também de origem do centro e Norte da Europa, que por exemplo o sul de território foi conquistada quase só devido à ordem de São Tiago da Espada. E ainda há o exemplo do Geraldo, Sem Pavor, apoiado pelo rei D. Afonso Henriques, este homens, agia com um bando de arruaceiros e marginais, por sua conta, atacando pela noite as cidades, incendiado as muralhas e conquistando as cidades. Com o principal objectivo de conquistar Badajoz, conseguiu conquistar territórios próximos e em redor da mesma cidade. Tratando-se de uma cidade importante para o domínio islâmico, não esquecer que é das poucas cidades fundadas pelo Islão, obviamente que a defesa da mesma intensificou-se com militares de outros territórios. Mas o mais curioso para a História será que o próprio rei de Espanha vai enviar militares para impedir a conquista portuguesa de Badajoz. Sim, o Rei Cristão, apoiou os muçulmanos. A "reconquista" desculpa-se com a religião, mas obviamente que tem outros interesses por detrás e conquista de Badajoz por Portugal significava um domínio dos territórios actuais do Alentejo e Algarve, territórios que o rei espanhol também tinha interesse. Consequentemente a conquista de Badajoz viu-se frustrada pelos tropas portuguesas, apoiadas pelo rei, que nessa cidade viu a sua vida militar praticamente finalizada, tendo partido a perna na fuga do interior da cidade, capturado por tropas espanholas. O Sem Pavor, foi obrigado a entregar as praças conquistadas a muçulmanos e espanhóis. Curiosamente o mesmo vai continuar a incomodar constantemente os territórios muçulmanos, até que um período de tréguas celebrado entre cristãos e muçulmanos leva-o para Sevilha, onde irá comandar um exército muçulmano, mas o mesmo não tinha virado a casaca por completo, tendo sido descobertas cartas entre o mesmo e o rei de Portugal, incentivando a invasão de Marrocos, após a descoberta, foi condenado à morte.
São muitas as histórias que a "reconquista" conta, as relações entre os povos são talvez das mais curiosas e inesperadas. A história não é tão básica como muitas vezes nos dão a conhecer.
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